Lista: os 10 vencedores do Oscar de "Melhor Filme" da década, do pior para o melhor

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Ah, o prêmio da Academia.... Todos anos criticamos e todos os anos assistimos. Muito mais um evento da Sétima Arte do que uma celebração à qualidade, o Oscar possui quase 100 anos e uma lista enorme de acertos e erros. De obras-primas a películas de gosto duvidoso, é só pegar a última década para vermos que Academia bambeia com suas decisões.

É bom lembrar que, desde 1999, quando "Shakespeare Apaixonado" venceu o prêmio máximo, a corrida dourada virou uma premiação de campanha: quem convencer melhor, leva. Não que antes fosse realmente premiado o melhor dos indicados - dentro da esfera da subjetividade -, porém, agora os estúdios investem milhões para fazerem seus filmes abocanharem a estatueta mais cobiçada da indústria, que vão de jantares para os votantes até os velhos DVDs com os filmes especialmente para os membros.

De "Guerra Ao Terror" a "Green Book", listei os 10 vencedores do Oscar de "Melhor Filme", do pior para o melhor, levando em consideração o filme em si, seus concorrentes e como o tempo cuidou de cada vitória - então, claro, quanto mais anos, mais o impacto do envelhecimento para o bem ou para o mal. Quais filmes a Academia premiou e nos fez dizer "conte comigo para tudo"?


10. O Discurso do Rei (2011)

Tom Hooper é um dos mais limitados diretores a se escorarem no molde "por-favor-meu-filme-merece-um-Oscar!" - "Os Miseráveis" (2012) e "A Garota Dinamarquesa" (2015) não me deixam mentir. Indicado a 12 prêmios, "O Discurso do Rei" venceu quatro: "Filme", "Direção", "Roteiro Adaptado" e "Ator" para Colin Firth, que viveu um rei gago e sua luta para o derradeiro discurso do título. Bem esquemático, só mesmo a Academia e a Rainha Elisabeth (que chorou com o filme) para amarem essa esquecível (e bem sucedida) empreitada para a temporada de premiação. Fica ainda pior quando lembramos que ele concorreu com "A Rede Social" e "Cisne Negro", dois dos melhores filmes da década. A cara do Darren Aronofsky perdendo o Oscar de "Melhor Direção" resume.

9. Green Book: O Guia (2019)

O último vencedor da década foi a coroação de uma das piores edições da premiação no período. "Green Book" trata de um tem ainda necessário: o racismo. Só que a produção não tira vantagem dessa necessidade para desenvolver um filme que discuta algo de uma forma além do que já foi posta no ecrã centenas de vezes. É tudo um manual sobre o racismo que encaixaria perfeitamente na "Sessão da Tarde" pela passividade diante da cartilha de filmes de evocação racial. Beira a insanidade pensar quem, com "A Favorita", "Infiltrado na Klan" e "Nasce Uma Estrela", alguém prefira "Green Book".

8. Argo (2013)

"Argo" talvez seja o vencedor do Oscar mais sem sentido dessa década. Não que o filme seja ruim, mas ele é muito fora da curva do que a Academia costuma valorizar, principalmente quando comparado com seus concorrentes. Ao contrário dos outros dois já listados, que estão dentro do bê-a-bá da premiação, "Argo" é um filme à la "Supercine" que une história com suspense, quase um irmão de concepção de "Atração Perigosa" (2010), também dirigido por Ben Affleck (que nem indicado ao Oscar foi). Anos depois, mal dá para lembrar que um dia preferiram "Argo" a "Amor", que só não passou a limpa pelo preconceito da Academia com filme de língua não-inglesa - só lembrar que "Roma" levou tudo na temporada de 2019 e quem acabou com o maior prêmio foi "Green Book".

7. O Artista (2012)

"O Artista" foi o primeiro filme mudo a levar "Melhor Filme" desde "Asas", em 1927 (sim, na primeira edição do prêmio), o que é, por si só, um feito inacreditável. O argumento é basicamente o mesmo de "Cantando na Chuva" (1952): a mudança para o Cinema falado e como os atores da época muda sofreram o impacto. Uma clara homenagem ao avanço da Sétima Arte, foi um passo arriscado ser projetado (quase) sem falas e em preto e branco no auge do blockbuster 3D, contudo, havia outra homenagem ali do lado que poderia ter roubado o careca dourado: "A Invenção de Hugo Cabret".

6. Guerra Ao Terror (2010)

É bem preocupante notar que, em 91 anos, apenas um filme dirigido por uma mulher venceu "Melhor Filme": "Guerra Ao Terror". Kathryn Bigelow é, também, a única mulher a levar o careca de "Melhor Direção" - e a lista de indicadas continua escassa, apenas cinco até hoje. É bem verdade que "Guerra Ao Terror" não foi o melhor filme de 2009, mas foi um marco importante na indústria ao trazer uma figura feminina por trás de um tema tão binário: o gênero bélico. Cru, seco e inteligentemente tenso, a fita vai até um dos eventos mais controversos da história norte-americana atual, a Guerra do Iraque, um elemento fundamental para o apresso da maior premiação do país.

5. 12 Anos de Escravidão (2014)

2014 foi o ano mais forte do Oscar nessa década: não havia um mísero indicado verdadeiramente ruim - "Trapaça" chega perto, no entanto, há elementos de redenção. O melhor entre os nove selecionados à categoria principal, "Ela", não estava entre a corrida dupla que colocou "12 Anos de Escravidão" e "Gravidade" à frente dos outros - não por acaso, são os que levaram os principais prêmios. Enquanto "Gravidade" tinha o peso de uma ousadia técnica impressionante, o cuidado do texto e o peso histórico de "12 Anos" fez com que Steve McQueen fosse o primeiro negro a receber "Melhor Filme" por esse horror escravocrata que não tem medo de escancarar os absurdos do período.

4. Spotlight: Segredos Revelados (2016)

Assim como no Oscar 2014, a edição de 2016 também viu dois filmes se digladiando pelo maior prêmio, "O Regresso" e "Mad Max: Estrada da Fúria". Só que, ao contrário de 2014, 2016 viu um filme que estava fora da briga vencer ao ser o mais "inofensivo" na queda de braço da temporada: "Spotlight". Enquanto "O Regresso" e "Mad Max" focavam na campanha contra o outro, "Spotlight" seguiu sem sofrer retaliações e recebeu ainda mais apreço pela denúncia filmada contra o caso real de padres pedófilos. Possui familiaridades e, às vezes, é correto até demais, contudo, é um belo caso do Cinema como ferramenta de crítica ao real. Regina George, Hulk, Batman e Dente de Sabre contra padres pedófilos? "Vingadores" apenas sonha.

3. Birdman ou (a Inesperada Virtude da Ignorância) (2015)

2015 foi uma grata surpresa quando a Academia ignorou todos os filmes feitos milimetricamente para abocanhar "Melhor Filme" (cof, "A Teoria de Tudo", cof, "O Jogo da Imitação", cof) para premiar o longa menos "cara da Academia", o insano "Birdman", que rendeu os (três) primeiros Oscars a Alejandro G. Iñárritu (que já tem cinco). Com uma metanarrativa que paralela a figura de seu protagonista com a vida de seu ator, "Birdman" é o "Crepúsculo dos Deuses" (1950) da era do Twitter quando temos Riggan Thomson - personagem que deveria ter dado o Oscar a Michael Keaton - desesperado a alcançar uma fama que não lhe pertence mais. Cheio de gags, cortes invisíveis e ironia para dar e vender, "Birdman" é um clássico contemporâneo, mas, entre os indicados, quem deveria ter vencido "Melhor Filme" era "Whiplash".

2. A Forma da Água (2018)

Um dos mais deliciosos anos para o Oscar, 2018 trouxe grandes nomes e premiados coerentes. Vários do montante dariam dignos vencedores - "Três Anúncios Para Um Crime", "Lady Bird", "Corra!" -, todavia, o melhor foi felizmente agraciado: "A Forma da Água" já chegou botando banca com o Leão de Ouro no bolso (o "Melhor Filme" do Festival de Veneza) e sendo corretamente chamado de "a obra-prima de Guilhermo Del Toro" ao retratar um dos mais incomuns amores da história do Cinema: uma mulher muda e um humanoide anfíbio da Amazônia (em parte, esse Oscar é do Brasil). Da composição de época irretocável à cena final para explodir qualquer coração, "A Forma da Água" é uma dádiva da Sétima Arte.

1. Moonlight: Sob a Luz do Luar (2017)

O maior vencedor do Oscar de "Melhor Filme" não só da década como do século, "Moonlight" é uma revolução ao ser a primeira produção a receber o prêmio sendo 100% atuado por atores negros e, não satisfeito, é também o primeiro LGBT no pódio mais alto. A saga de Chiron, contada em três capítulos, é o ápice de tudo o que o Oscar premiou ao trazer humanidade, delicadeza e crueza com uma história de importância incalculável. Foi ainda mais emocionante pelo erro dos envelopes, dando a "La La Land" o prêmio por dois minutos antes de perceberem o erro.

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