Estratégia alimentar low carb não é um problema para a prática esportiva

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(Foto: Pixabay)


A estratégia alimentar low carb ou cetogênica – com alta restrição de carboidratos – mostra-se eficaz e necessária para pessoas que sofrem de obesidade, diabetes e síndrome metabólica, no sentido de combaterem as causas que levam a essas enfermidades. Pessoas que não sofrem dessas condições, mas querem manter o peso ou até emagrecer alguns poucos quilos também têm adotado à dieta com sucesso. Mas o que muitos não imaginavam e vem ocorrendo é que a estratégia alimentar pode ser uma boa alternativa para quem deseja perder peso realizando concomitantemente atividades esportivas

De acordo com o médico, diretor presidente da Associação Brasileira de LowCarb (ABLC), Dr. José Carlos Souto, atletas como o ciclista Chris Froome, quatro vezes campeão do Tour de France; o ultramaratonista, Zach Bitter, recordista de 100 milhas; e o astro do basquete, LeBron James, vem alcançando uma melhora de desempenho consumindo poucos carboidratos ou até eliminando-os de sua alimentação durante o período de treinamento. Se para estes esportistas de alto rendimento, a low carb mostra-se efetiva, certamente pode ser considerada útil e recomendável para atletas amadores que realizam atividades esportivas com menos intensidade, sem o compromisso de alta performance.

A surpresa em relação ao emprego desse tipo de estratégia alimentar para quem deseja realizar atividade física vem da crença de que apenas a glicose – adquirida nos carboidratos – é capaz de gerar energia suficiente para a prática esportiva. Isso é fato, mas não se trata da única forma. “A gordura tem mais do que o dobro de calorias dos carboidratos, então é possível usá-la também”, explica o diretor presidente da ABLC. Conforme Dr. Souto, trata-se, aliás, de uma melhor fonte, devido à capacidade do corpo ser maior em armazenar gordura do que glicose. “O organismo humano apresenta apenas o fígado e os músculos como depósito de glicose, sendo o tecido adiposo um tanque muito mais expansível”, informa.

Dr. Souto esclarece que o corpo humano tende a usar mais glicose para usar energia justamente porque a dieta recomendada para quem faz exercícios físicos é a base de carboidratos - diretrizes desportivas sugerem o consumo de seis a dez gramas de carboidrato por quilo de peso. “Existe um fenômeno que se chama oxidação recíproca de substratos. Quando nós temos bastante glicose, o corpo oxida glicose e não gordura. Quando nós temos bastante gordura e pouca glicose, acontece o inverso. Mas os dois estiveram disponíveis em quantidade iguais, a prioridade vai ser da glicose, porque o corpo sempre tem onde armazenar a gordura”, explica.

Ou seja, desde que o corpo de quem pratica atividade esportiva esteja acostumado a utilizar ácidos graxos (gordura) no lugar de glicose, ele não precisará de carboidratos para a geração de energia. Não que a glicose não seja necessária. Nos chamados momentos anaeróbios, como, o sprint de uma corrida ou o levantamento de peso, somente a glicose é capaz de fornecer energia. Contudo, salienta o presidente da ABLC, essa glicose não precisa vir da dieta. “Ela está disponível via glicogênio e esse glicogênio é reposto no organismo mesmo que o sujeito esteja numa dieta sem carboidratos”, explica o Dr. Souto.

Mesmo assim, muitos profissionais da área de saúde ainda afirmam que, ao se fazer muita atividade física, o corpo perderá apenas músculo, caso não consuma carboidratos. Isto porque o cérebro necessita de glicose para funcionar e essa vem por meio do processo de gliconeogênese (produção de glicose no fígado), que seria gerado apenas por aminoácidos que o músculo produziria. De acordo com Dr. Souto, essa afirmação se choca com a realidade e mostra-se equivocada. Estudos científicos realizados com atletas da ginástica olímpica da Itália, do crossfit, e de levantamento de peso, por exemplo, mostraram que uma dieta com muito pouco carboidrato não produz perda de massa muscular.

A explicação para tal ocorrido reside no fato que os aminoácidos utilizados para a gliconeogênese, no caso dos atletas, veio da carne ingerida por ele e não do músculo. “É simples: se a pessoa ingere proteínas, ela adquire os aminoácidos suficientes para realizar a gliconeogênese sem precisar consumi-los do próprio corpo. Apenas em situação de extrema fome, o corpo consome a própria musculatura, o que não era o caso dos ginastas”, esclarece.

Não obstante a mostra de resultados eficazes, para o presidente da ABCL, apenas o tempo dirá se a abordagem low carb é a melhor do ponto de vista competitivo para atletas profissionais em relação a outras estratégias. “No entanto, não existe dúvida de que é factível para quem precisa, por exemplo, conciliar o desejo de realizar a prática de corrida com a necessidade de perder peso ou de melhor seus parâmetros metabólicos”, conclui.


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